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OS DE FIACHAS-LIMPAS ENTÃO
Não, não e não! Não sejamos tão exigentes com os políticos, oxente! Querer deles que tenham as fichas sempre limpas e passadas à goma para apresentar à boca da urna, é mais utópico do que o pré-sal educativo de Lula ou o socialismo ditatorial de Chávez. Principalmente porque estamos velhos de saber, quando um bando de ignorantes se une para tramar em causa própria, não trança a rede de modo a não se balançar dentro dela. Se não têm discernimento para fazer leis que ajudem o país a sustentar suas colunas e afagar seu povo, têm todo o engenho, como bois de canga, para legislar em causa própria, puxando a moenda instintivamente na mesma direção. Por isso quando alguém berra no horizonte, não é a consciência dessa gente lhe impondo o bagaço castigado, não mesmo, é uma voz perdida no engenho que engasgara com o caldo da cana. Pedimos tão somente, isto se tivermos garapa à disposição para tal invento por aí além, que melhorem um pouco a qualidade do pão nosso de cada dia, para que não morramos todos com as veias entupidas do coração nem com o diabetes nos trapaceando as pernas; pedimos tão somente que sejam mais benevolentes com o povo que, humildemente, os elege em troca das migalhas bolsistas e das cotas raciais dos desfavorecidos, e ainda se vos sobrar boas intenções, olhai por todos nós de modo que não lhes pareçamos pobres diabos desassistidos do inferno cabal de Dante. Aqueles, que de boas intenções, povoaram o inferno, nos perdoe a malquerença, mas entendam desinteressadamente que quando aos porcos são jogados os bagaços do engenho, todos os que lá estão se espojando na lama nos parecem porcos, por isso os colocamos na mesma cota, não a de negros, mas a de porcos, de porcos políticos então. Esperemos, pois, desde a meninice desta surrada democracia, que este país nos surpreenda positivamente com as vias do desenvolvimento, não somente do desenvolvimento econômico, mas de igual teor, do desenvolvimento moral, intelectual e ético, que nos faça sentir orgulho de sermos um povo e um povo realmente brasileiro, que viva condignamente, sem que por isso seja tratado como os bois do engenho pelos porcos de Brasília.
Escrito por Achel Tinoco às 19h39
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SUA ÁRVORE GENEALÓGICA
O que seria Árvore Genealógica sob a lógica do prefeito de Cafarnaum, Ivanilton Oliveira? Vamos ao concurso para testar seus conhecimentos então: para ele esta árvore é sempre produtiva, de bons frutos, de quebra-galhos. Não bastassem as ramificações que o levaram à prefeitura, o referido prefeito e sua árvore — acrescida da irmã, esposa, sobrinhos, primos e quantos mais fossem os frutos desta representação gráfica —, justamente ao cabo de sua posse, impôs a si mesmo e a esses tantos parentes um teste de conhecimento que fosse capaz de julgar apenas os concorrentes consanguíneos, tendo à frente tão somente o cargo para o qual fora eleito e para o qual usa agora como referencial de suas expectativas e ambições. Os outros postulantes, aqueles colhidos do umbuzeiro, do juazeiro e do mandacaru, ficariam por ali a preencher as fichas, a rabiscar as folhas, a ralar-se aos caules, bem sabem que o coeficiente de vossa excelência, proveniente de sua generosa genealogia, é inúmeras vezes mais elevada que a mais elevada das árvores da caatinga, como elevada e sem lei deve ser a madeira que compõe sua essência. O concurso público, de múltiplas escolhas, para marcar um X de paus onde lhe fosse cabível, devia ter somente duas perguntas: “Qual o nome do prefeito reeleito de Cafarnaum, com o lema ‘O progresso continua’?”, e a outra, mais alongada por mim: “Como se chama o profissional da medicina que deveria cuidar da saúde da população de Cafarnaum, tendo sido eleito para um cargo eletivo, e hoje aspira ao pólen, ou aos excrementos, de sua própria árvore municipal para passar neste concurso em primeiro lugar?” As outras perguntas — tão difíceis quanto estas — não são relevantes ao escandalizado leitor, mas sabe-se que foram igualmente respondidas pelo parentesco do executivo e todos foram aprovados com louvor, uns mais outros menos, porque não havia colocação primeira a toda gente. Os outros concorrentes não puderam responder a tantas perguntas; a memória se lhes faltaram. Entenda-se que o prefeito é também médico. Entendamos que o prefeito é também político, por isso age como político e não como médico. Mas se o povo neste exato momento fosse um paciente, estaria morto por falta de cuidado e de atenção, ou por negligência mesmo, daquelas com as quais os poderes públicos são constituídos.
Escrito por Achel Tinoco às 18h38
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